Fichamento Teoria do Não-Objeto
O texto de Ferreira Gullar inicia em uma retrospectiva histórica da representação artística e sua relação com o objeto e o espaço, inicialmente pelos expressionistas que pintavam ao ar livre e representavam a luz e a impressão do mundo natural com pinceladas mais livres. Depois relata os primeiros respiros da ideia de abstração, trazidos por Maurice Denis que tratava de um quadro como uma composição com um fundo e formas antes de ter um sentido figurativo.
A partir dai, o movimento cubista e principalmente os artistas Mondrian e Malevich iniciam um processo de esvaziamento e eliminação do objeto e de representação do mundo e do espaço na tela, passando por questões relacionadas às linhas, às molduras e às bases que funcionavam como um meio-termo entre o real e o fictício, perdendo o sentido na medida em que as obras desses artistas seriam realizadas no mundo real, sem uma proteção metafórica. As esculturas não-figurativas, se livram do objeto ao eliminar o peso.
"A pintura e a escultura atuais convergem para um ponto comum, afastando-se cada vez mais de suas origens. Tornam-se objetos especiais (nao-objetos) para os quais as denominações de pintura e escultura já talvez não tenham muita propriedade."
"Toda arte tende a ser um não-objeto"
Nesse sentido, um não-objeto é transparente, "não se esgota nas referências de uso e sentido porque não se insere na condição do útil e da designação verbal" , diferentemente de um objeto que é opaco e tem uma funcionalidade corriqueira. Ele assume sua própria significação, e em sua interação no mundo não possui uma função.
O autor também relata a existência de um quase-objeto, que é a representação de um objeto, mas que perde a característica da função.
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