Crítica da composição

 


A composição do Gustavo trabalha bem a ideia da imersão no objeto, as duas imagens da ponta, cada uma em um sentido oposto, conversam bem e destacam a imagem do meio, com uma iluminação que parece ser um pouco mais fechada que a das outras. A composição dos pontos com luz e os com ausência dela tem um contraste bem interessante, na primeira eles se encontram na continuidade e na terceira ficam em sequência, já na segunda, acontece a repetição de três tiras de luz, de forma mais fraca à esquerda e depois, mais ao fundo, semelhante à mais próxima do ponto de vista da foto, mas em outro ângulo. Além disso, o circulo centralizado na composição cria um efeito de simetria em meio ao caráter tridimensional e ás formas mais orgânicas no fundo das fotos das pontas. Um único detalhe que me parece ter passado despercebido é um ponto mais claro próximo a margem de cima da foto do meio, mas não atrapalha a imersão.


Na composição que usa da transparência, o Gustavo trabalhou com os reflexos da base redonda de algum objeto de vidro, na primeira, com formas mais abstratas em baixo dela e nas outras duas se configura um tipo de quadriculado em uma área. Além disso, é possível ver na foto do meio uma distorção da superfície na qual o objeto se encontra apoiado e também do reflexo quadriculado do objeto nela, o que é bem interessante e um pouco metalinguístico, uma distorção do reflexo feito pelo objeto na superfície, que é mostrada nele mesmo. Outro ponto interessante é o aumento progressivo do comprimento das imagens.

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